Monday, May 29, 2006

Paulo Freire

Semana passada meu colega de faculdade, Fábio Novaes, emprestou-me a edição deste mês da revista CONTINENTE DOCUMENTO. Este especial, fala de um homem que revolucionou a pedagogia, criando um novo Método de Alfabetização, o qual parte do 'cotidiano, do dito, do feito, e do entendido no mundo diário dos adultos analfabetos e oprimidos', para dele tirar a compreensão crítica da palavra, e não introjetar e extrojetar. Este homem é Paulo Reflus Neves Freire, mais conhecido como Paulo Freire.

O recifense Paulo Freire teve infância pobre, estudou de favor, o antigo secundário e o pré-jurídico, em uma escola particular. Essa conquista se deve a perseverança de sua mãe, dona Edeltrudes Neves Freire.
Pouco tempo depois foi professor de português do mesmo colégio e de outros colégios da rede particular do Recife. Já professor, aos 22 anos de idade, ingressou na Faculdade de Direito do Recife, onde se formou bacharel de direito em 1947. Por ser professor e franzino foi dispensado de ir pra guerra (II Guerra Mundial) na Itália pelo médico do exército. Após os exames de qualificação de recrutas, o tal médico perguntou-lhe:
- O que fazes na vida profissional?
- Sou professor de língua portuguesa, respondeu Paulo.
- Estais dispensado... Como, de terra de analfabetos, se pode mandar professores ir morrer na Itália? ... Ainda mais um magrelo como você!

Antes de terminar a faculdade abriu um escritório de advocacia com mais dois amigos, desgostoso foi trabalhar no SESI-PE. Foi ai que ele teve contato com educadores como Anísio Teixeira e entrou no universo educacional pra nunca mais sair. Essa temporada foi fundamental para o desenvolvimento do livro Pedagogia do Oprimido, sua obra mais importante, como ele mesmo falou: “A Pedagogia do Oprimido não poderia ser gerada em mim só por causa de minha passagem pelo SESI, mas minha passagem pelo SESI foi fundamental.” Sua temporada no SESI-PE foi interrompida em 1964 em conseqüência do golpe militar. Depois de muita luta conseguiu asilo na embaixada da Bolívia no Rio de Janeiro, de lá conseguiu ir para Bolívia amparado pelo embaixador desse país. Mas, dias depois aconteceu um golpe de Estado naquele país e ele foi para o Chile, onde encontrou outros intelectuais brasileiros que estavam também asilados, entre eles Plínio Arruda Sampaio e Fernando Henrique Cardoso. Três dias depois de chegar em Santiago foi contratado pelo governo e desenvolveu a Educação Popular que se estendeu por todo o país. Do Chile ele foi ao México e EUA, para participar de conferências e seminários.

Em 1969 ele foi para os Estados Unidos. Lá ele trabalhou em Massachusetts e depois, como professor visitante, na Universidade de Harvard. Quando terminou o contrato em Harvard ele foi para Suíça à convite do Conselho Mundial das Igrejas (CMI), em Genebra. De fevereiro de 1970 a junho de 1980 o CMI foi sua casa. Nesse país ele foi também professor da Universidade de Genebra. De lá Paulo Freire conheceu o mundo divulgando seu método. ‘Sua palavra e sua ação estiveram presentes na Ásia,Oceania, América e, sobretudo, na África de língua portuguesa.’ Paulo Freire foi reconhecido enquanto vivo, recebeu seis prêmios internacionais, tornou-se cidadão honorário de 16 cidades, batizou três cátedras universitárias, recebeu titulo de doutor honoris causa de 34 universidades dos cinco continentes. Hoje seu nome batiza ruas, centenas de escolas e vários centros de estudos e documentação em países como Itália, Chile, Bélgica, Alemanha e Estados Unidos. Além disso foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz, em 1993, ‘por sua militância na educação voltada para a paz.’

Depois de voltar ao Brasil em junho de 1980, pra ficar ou como ele disse “reaprender o Brasil”, tornou-se professor da PUC-SP e permaneceu tal como até o fim de seus dias. De 1º de janeiro de 1989 até 27 de maio de 1991 foi Secretário de Educação da cidade de São Paulo.

O livro Pedagogia do Oprimido, dedicado “aos esfarrapados do mundo e aos que neles se descobrem e, assim descobrindo-se, com eles sofrem, mas sobretudo com eles lutam”, foi escrito inicialmente no Chile em 1967 e concluído nos Estados Unidos em 1968. ‘O livro parte da constatação de que vivemos em uma sociedade dividida em classes, sendo que privilégios de uns impedem que a maioria usufrua dos bens produzidos e necessários, inclusive a educação, da qual é excluída grande parte da população do Terceiro mundo. A conseqüência é a existência de dois tipos de pedagogias: a pedagogia dominante, onde a educação existe como prática da dominação, e a pedagogia do oprimido, que precisa ser realizada e na qual a educação surgiria como prática da liberdade.’ Por esta obra Paulo Freire é considerado um dos pais da Teologia da Libertação, como afirmou Leonardo Boff: “A Teologia da Libertação, ao fazer a opção pelos pobres contra a sua pobreza, assume a visão de Paulo Freire. O processo de libertação implica fundamentalmente uma pedagogia (...) Por isso Paulo Freire, desde o início, foi e é considerado um dos pais fundadores da Teologia da Libertação”.

A intenção desse texto é divulgar aquele que é uma das maiores personalidades intelectuais que o nosso país já produziu. Um brasileiro patriota que amava sua cidade natal, Recife, mas era um homem do mundo. Ele dizia: “A minha mundialidade se explica por minha brasilidade, a minha brasilidade se explica por minha pernambucanidade, a minha pernambucanidade se explica por minha recifensidade”.

Paulo freire nasceu no dia 19 de 1921 e morreu no dia 02 de maio de 1997.

Por fim eu vou descrever a carta de despedida, intitulada “A leitura do mundo”, que Frei Beto escreveu depois de ir visitar seu amigo no leito do Hospital Albert Einstein. Esta carta nos trás uma noção de quem foi Paulo Freire e de sua obra.
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A leitura do mundo

"lvo viu a uva", ensinavam os manuais de alfabetização. Mas o professor Paulo Freire, com o seu método de alfabetizar conscientizando, fez adultos e crianças, no Brasil e na Guiné-Bissau, na índia e na Nicarágua, descobrirem que Ivo não viu apenas com os olhos. Viu também com a mente e se perguntou se uva é natureza ou cultura.

Ivo viu que a fruta não resulta do trabalho humano. É Criação, é natureza. Paulo Freire ensinou a Ivo que semear uva é ação humana na e sobre a natureza. É a mão, multi-ferramenta, despertando as potencialidades do fruto. Assim como o próprio ser humano foi semeado pela natureza em anos e anos de evolução do Cosmo.

Colher a uva, esmagá-Ia e transformá-Ia em vinho é cultura, assinalou Paulo Freire. O trabalho humaniza a natureza e, ao realizá-Io,o homem e a mulher se humanizam. Trabalho que instaura o nó de relações, a vida social. Graças ao professor, que iniciou sua pedagogia revolucionária com trabalhadores do SESI de Pernambuco, Ivo viu também que a uva é colhida por bóias-frias, que ganham pouco, e comercializada por atravessadores, que ganham melhor.

Ivo aprendeu com Paulo que, mesmo sem ainda saber ler, ele não é uma pessoa ignorante. Antes de aprender as letras, Ivo sabia erguer uma casa, tijolo a tijolo. O médico, o advogado ou o dentista, com todo o seu estudo, não era capaz de construir como Ivo. Paulo Freire ensinou a Ivo que não existe ninguém mais culto do que o outro, existem culturas paralelas, distintas, que se complementam na vida social.

Ivo viu a uva e Paulo Freire mostrou-lhe os cachos, a parreira, a plantação inteira. Ensinou a Ivo que a leitura de um texto é tanto melhor compreendida quanto mais se insere o texto no contexto do autor e do leitor. E dessa relação dialógica entre texto e contexto que Ivo extrai o pretexto para agir.No início e no fim do aprendizado é a práxis de Ivo que importa. Práxis-teoria-práxis, num processo indutivo que toma o educando sujeito histórico.

Ivo viu a uva e não viu a ave que, de cima, enxerga a parreira e não vê a uva. O que Ivo vê é diferente do que vê a ave. Assim, Paulo Freire ensinou a Ivo um princípio fundamental da epistemologia: a cabeça pensa onde os pés pisam. O mundo desigual pode ser lido pela ótica do opressor ou pela própria ótica do oprimido. Resulta uma leitura tão diferente uma da outra como entre a visão de Ptolomeu, ao observar o sistema solar com os pés na terra, e a de Copérnico, ao imaginar-se com os pés no Sol.

Agora Ivo vê a uva, a parreira e todas as relações sociais que fazem do fruto festa no cálice de vinho, mas já não vê Paulo Freire, que mergulhou no Amor na manhã de 2 de maio. Deixa-nos uma obra inestimável e um testemunho admirável de competência e coerência.

Paulo deveria estar em Cuba, onde receberia o título de doutor honoris causa, da Universidade de Havana. Ao sentir dolorido seu coração que tanto amou, pediu que eu fosse representá-Io. De passagem marcada para Israel, não me foi possível atendê-Io. Contudo, antes de embarcar, fui rezar com Nita, sua mulher, e os filhos, em tomo de seu semblante tranqüilo. Paulo via Deus.
...*...
O que achou do texto? O Brasil pode ser melhor, não achas?
O Brasil têm talentos, os quais precisam ser reconhecidos e valorizados. Não falo de atriz, ator ou jogador de futebol. Muitos desses talentos estam escondidos, perdidos ... nem sabem que são talentosos, precisam ser descobertos, para fazer um país melhor.
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DEUS ABENÇOE O BRASIL!!!

Saturday, May 27, 2006

Não há maneira melhor para começar. Inicio colocando a mensagem que pra mim e pra muitos expressa o maior amor, o amor verdadeiro. Quando refletimos sobre ela tiramos varias lições maravilhosas. Não há lição melhor que nos impulsione a viver em amor!

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. "
João 3:16
DEUS ABENÇOE O BRAISL!!!