Thursday, August 27, 2009

José

Há duas horas me aconteceu uma coisa muito fora do normal e de igual modo impressionante. Eu fui jantar como de costume no RU (Restaurante Universitário) logo após que eu cheguei da universidade, fui correndo até, pois estava a minutos do fechamento das portas. Não estava com apetite nem fome porque tinha comido no coffe break do I workshop CNANO/UFRGS, quase duas horas antes. Mas eu tinha que "jantar" para fechar a alimentação do dia, senão minha mãe iria brigar comigo...

Meu amigo/irmão que sempre janta comigo chegou segundos antes de mim. Tenho satisfação de chamá-lo assim porque realmente é o que ele tem sido. Deus foi generoso comigo e em terras estranhas me presenteou com um amigo que se tornou também um irmão e a família dele se tornou também minha. Já falei algo sobre isso no post "A Mudança". Conversamos, como sempre, enquanto jantávamos. Depois continuamos a conversa na frente do RU, em momento estávamos falando sobre o sobrenome da família dele, do qual eu estava tirando onda ("folgando" como se diz aqui) dizendo que o tal sobrenome era fake (falso). O motivo é uma longa história. "Esse sobrenome é alemão" dizia ele, quando alguém logo retrucou "não é polonês?" "Não, termina com tz", disse meu amigo (a/i, para se referir a amigo/irmão). Olhando para este eu digo "olha ele sabe..." e virando o olhar para saber realmente quem era que estava falando. Era um homem que estava levando sacos de perto da porta do RU para mais adiante.

-"É... deve ser judaico-alemão ou judaico-polonês" disse o homem se aproximando de nós.
-"Mas nome de judeu é nome de árvore, não é (se referindo a oliveira e semelhantes, certamente)?" retrucou a/i.
Homem: "Não, judeu com nome de planta é português ou espanhol. Os judeus franceses, alemães, poloneses, da europa oriental no geral tem outros sobrenomes."

Depois dessa conversa ele nos falou sobre umas coisas históricas e perguntou "vocês não são estudantes de história?" "Não." respondeu a/i. "Eu sou de Ciência da Computação."

Conversamos sobre várias coisas. Ele, o homem, falava mais do que nós dois juntos. Ele se mostrou conhecedor de vários assuntos. Política. Gente - "...eu não queria ter nascido no Brasil. Eu queria ter nascido na Dinamarca, na verdade eu gosto mais da Suécia a rainha é até brasileira." Segunda grande guerra (como ele falava). Ele admirava Churchill. "Churchill era muito inteligente... ele não se preocupava com Stalin e sim com Hitler..." Teologia/Religião. Ele me impressionou em falar disso. Como poucos ele tinha passagens da Bíblia memorizadas (ainda não tenho muito essa capacidade). Ele sabia também o significado de vários nomes bíblicos, como Israel, Ismael, Ruben e quase todos os filhos de Jacó, dentre outros. Porém não conhecia o significado do meu nome. Eliasibe=Deus restaura. Mas sabia que "el" significa Deus e citou alguns nomes com "el" no meio e seus significados. Futebol. Ele até sabia do Santa Cruz de Recife...

Uma coisa que me fez ri foi quando ele falou "O diabo é um promotor de justiça... só faz acusar..." e eu disse "faz sentido e Jesus como advogado defende..."

Encurtando o episódio meu amigo perguntou pra confirmar o que já tinha pensado "tu moras onde?" Ele respondeu "sou morador de rua". Uma pergunta natural seria, mas como pode um morador de rua saber tudo isso? Como se eles fossem incapazes de adquirir e armazenar conhecimentos. Ele tem família. Duas irmãs e sobrinhos. Talvez por não querer ser em parte dependentes delas não quis mais morar com uma delas. "Eu tinha meus horários ela tinha os dela [...] Eu não queria incomodá-la." Ele disse já tinha trabalhado. Ele trabalhou por 10 anos do Banrisul (Banco do Estado do RS).

Por ser tão notório a inteligência daquele homem que completou "segundo grau" eu propus "por que o senhor não faz um concurso público, garanto que o senhor passaria?" "Eu? já estou com 52 anos de idade" desacreditou ele. Comentei a ele sobre o morador de rua de Recife que passou num concurso do Banco do Brasil. Ele disse que conhecia o fato. "Eu não sou bom de informática" respondeu ele. "Mas se ele tem facilidade de aprender isso não será problema" pensei. Imediatamente me ocorreu no pensamento "deve ter algum lugar aqui que ensina informática gratuitamente eu vou procurar por ele." Só espero achar esse lugar e encontrá o homem novamente para dizer dele. No fim ele saiu acreditando que seria possível passar num concurso.

Depois que ele foi embora eu e a/i ficamos maravilhados sobre o que tinha acontecido e comentamos sobre o tal. Logo ele soltou "se eu tivesse um blog assim que chegasse em casa iria postar sobre isso." "Ow tu me deste a ideia... mas se tu quiseres escrever eu posto lá no blog (me referindo a este)." Ele me mandou um texto para ser postado, como sugeri, o qual estou querendo muito ler e postar (combinamos que quem terminasse primeiro não leria o texto do outro - ele me disse no msn que estava escrevendo um enquanto eu escrevia este - para não ser influenciado). Ele é bom com as ideias e as palavras. Bom, já que ele, a/i, aceitou publicar aqui no blog seu anonimato não faz mais sentido, até porque ele vai assinar seu texto. a/i foi registrado como John euheueheu (não é animal).
Depois de tomar banho eu vim escrever essa postagem mesmo tendo dito "... hoje estou sem ideia e criatividade... mas já sei o título."

Na despedida com o homem não tínhamos o que dizer senão "Deus te abençoe José!"

Peace on you!

1 comment:

Lourdes said...

Acredito que se Deus colocou essa pessoa no caminho de vcs, é pq tem um proposito. O "José" não saiu sem tbm receber algo, tenha certeza q a SEMENTE foi plantada...
Deus abençoe vcs...