Saturday, October 30, 2010

Segundo Turno: Porque eu não vou votar no PT

No primeiro turno inegavelmente eu votei em Marina Silva (43) para presidente porque entendi que ela tinha (tem) uma coerência de planos e ideias para o Brasil e além disso essa coerência está enraizada na sua história de vida, sobretudo passando pela ética. Pelo que entendi ela queria desmantelar o, chamado por ela, fisiologismo na política brasileira que a causa maior da corrupção do país e por isso atrasa nosso desenvolvimento político, social e sobretudo educacional, pois este pode causar uma revolução sem volta.

Mas infelizmente a maior parte da população brasileira não percebeu em Marina a oportunidade de um futuro feito por uma política ética, sustentável e apartidária. Infelizmente ela não foi para o segundo turno. E agora estamos nós deparados com dois candidatos que numa visão, de certa forma ampla, são bem parecidos, além do voto nulo ou branco.

Independente da quantidade dos votos nulos e brancos um deles vai ser eleito presidente do Brasil. E por isso que eu me desmotivei pelo voto nulo. Votar nulo (entenda-se branco também) não tem consequência alguma, não serve nem como protesto, como renúncia, como independência porque ele não vai ser contado para tal. Mas alguém poderia me dizer: "a eu não quero ter participação nessa escolha" ou "eu não quero ter a responsabilidade de eleger nenhum deles" ou ainda "minha ideologia não casa com a de nenhum deles". Infelizmente, o fato é: quando se vota nulo esta deixando de votar num candidato e isso pode ser decisivo para que o outro ganhe. É mais ou menos assim: considere que o universo de eleitores é composto de 10 pessoas; 4 votam no candidato X, 3 votam no candidato Y e outros 3 votam nulo; nessa configuração será eleito o candidato X, que indiretamente teve ajuda dos 3 que votaram nulo, porque se estes 3 votassem no candidato Y, este venceria as eleições. Portanto, quem vota nulo tem parte no resultado e não se exime da responsabilidade. Quanto a não votar num candidato para não trair a sua ideologia não tem sentido porque não se tem uma opção que configure, confirme, levante a bandeira da sua ideologia, isto é, pela inexistência de alguém que represente sua ideologia não há traição. Mas pode haver traição quanto aquilo que se considera pior em sua ideologia. Por exemplo: considere um cristão, um cristão por definição, digamos, ele não fala mau (não fere a hora) de um inimigo e muito menos de um amigo (em outras palavras, isto é calúnia), agora imagine a situação de amizade com outra pessoa em que chega-se um nível de deterioração tal que não dá mais para serem amigos, para muitos, isso é motivo suficiente para sair falando mau da outra pessoa, mas para um cristão isto é trair seus princípios, sua ideologia; só lhe resta ficar quieto, calado e viver sua vida.

Temos duas opções para fazer nossa escolha amanhã. Eu disse no início que numa ampla visão os dois candidatos a Presidente da República são parecido, mas de fato não são iguais, além de que em outras partes são diferentes. Eu não acho bom comparar momentos em épocas diferentes, principalmente comparar pessoas, justamente porque elas mudam e mudam muito. Quem não percebeu a diferença de Lula de 1998 (para não ir muito distante) e Lula de 2002? Ele só ganhou as eleições porque ele não veio com as mesmas ideias. Por isso que eu penso que José Serra, candidato do PSDB, não é o mesmo quando estava no governo de Fenando Henrique Cardoso - FHC, muito menos é este. Ele é mais parecido hoje com o período que governou São Paulo. Sobre Dilma Rousseff, candidata do PT, eu não tenho ideia como ela será como líder, tendo em vista que em todo tempo ela foi liderada. Eu acho que é por esse motivo que o PSDB diz, quando fala dos corruptos e dos "coronéis" do PT, "Lula conseguiu segurar. Mas e a Dilma: será que ela vai ter força para segurar o PT?" O que eu posso achar por hora, e muitos fazem o mesmo coro, é que se qualquer um ganhar não vai haver mudanças drásticas na política econômica e muto provavelmente não vai haver reformas significativas, como a da política, da previdência e tributária, muito menos da educação. Mas, se Serra ganhar vai haver diferenças no mínimo sutis.

O governo FHC, foi um governo neoliberal, que diminuiu o poder do estado, sobretudo na economia. A última crise mundial demostrou que esse tipo de governo é falho e vulnerável por não estabelecer limites na economia, como limites de empréstimos e especulação que foram os grandes causas da crise. Enquanto que no Brasil há alguns limites que impediram o aprofundamento da crise aqui. É por isso que eu tenho dúvida se o PSDB estivesse continuado no governo a crise aqui seria mínima porque a flexibilização desse limites iriam, certamente, tomar conta da economia brasileira. Mas agora o momento é outro, a sociedade não é outra, mas mudou, e os candidatos também.

Por outro lado, enquanto a direita brasileira se mostrou liberal, a esquerda representada pelo PT (há quem diga que o PT não é mais esquerda) tem se mostrado controlador não na economia, mas nas políticas, digamos, humanas. E é por esse motivo que eu não vou votar no PT. Um exemplo do momento são as leis que interferem na criação dos filhos. Uma é aquela que proíbe os pais de baterem moderadamente nos filhos, a outra e pior é o PNDH 3 - Plano Nacional de Desenvolvimento Humano 3, no que se refere a família é que um pai ou uma mãe pode ser presa de 3 a 5 anos por demitir uma empregada(o) do lar homossexual. Isto é colocar a sociedade num mesmo conceito, numa mesma opinião. Isto é a privação de ter opinião e conceito deferentes refentes a prática homossexual. É a mesma coisa de supervalorizar a prática da prostituição, que aliás, esse plano dignifica tal ato sórdido dando o status de profissão para quem se prostitui, em vez de dá oportunidades dignas de trabalho a essas pessoas. Quando o PNDH3 se refere ao aborto, tal ato se torna vulgar, além de tornar profano o feto que pode ser morto até o quinto mês de gestação. Ainda tem a PL 122, que desrespeita as religiões e a liberdade religiosa. Se fosse analisar apenas a economia o PT estaria com muito crédito, mas além dessas medidas de controle tem as tamanhas corrupções nos dois mandatos do governo.

Eu não estou feliz com essas eleições.
Eu não estou feliz com a ética e com as verdadeiras intenções da maioria das pessoas que estão nos Congressos e nas Câmaras Legislativas nos representando.
Eu queria pessoas que não olhassem para seu umbigo nem para os dos seus, mas que olhassem para o presente e o futuro do Brasil.
Eu queria pessoas que trouxessem uma revolução da educação, da ciência e tecnologia como a que houve na Coreia do Sul a partir da década de 60, quando o Brasil era melhor que eles nos índices econômicos e sociais.
Eu queria políticos e partidos que votassem a favor da população brasileira e que não deixassem de votar ou trancar a pauta de votação por intrigas partidárias.
Eu queria pessoas na política que fossem patriotas, que amassem o Brasil e não seus bolsos cheios de Reais.


DEUS ABENÇOE O BRASIL!!!

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